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APRESENTAÇÃO

Por Marcos Serruya

Para compreender o que é o CENTRO ISRAELITA DO PARÁ é necessário um mergulho em suas raízes. E essas raízes nos remetem aos judeus expulsos pela inquisição da Espanha, em 1492 e de Portugal, em 1496, que dirigiram-se em grande número para o Marrocos, refugiando-se nas cidades de Tanger, Tetuan, Fez, Rabat, Marrakesh e outras. Escolheram o novo lar levando em conta que o Rei do Marrocos aceitou recebê-los e pela proximidade com a península ibérica, bastando atravessar o mar mediterrâneo.

Chegaram com a esperança de uma vida mais feliz, pois haviam sofrido toda a sorte de perseguições, confiscos, sacrifícios, massacres e conversões à força em suas cidades de origem. Muitos parentes haviam sido queimados nas fogueiras do “santo ofício”. Outros foram vendidos como escravos para a nobreza. E todos tinham sido alvo da chacota, dos “pogroms” (ataques e torturas periódicos) e sujeitos a pesadas taxas e multas. Entretanto, no novo País, eles foram igualmente isolados em pequenas vilas (os meláhs) onde havia super- população, más condições de higiene e onde também sofreram com o preconceito e voltaram a passar por constrangimentos, humilhações e ainda tinham de pagar elevadas taxas ao Reino. Só com muito esforço alguns conseguiam um lugar de destaque na sociedade marroquina.

Cansados da pobreza, doenças, perseguições e até das guerras e conflitos internos que afligiam o Marrocos, começaram a sonhar com um outro lar, onde pudessem viver em paz e prosperidade. Foi então que começaram a chegar a seus ouvidos notícias de um País chamado Brasil e de uma terra de promissão denominada Amazônia. Lá, segundo diziam, enriquecia-se comerciando com borracha, sementes, peles e outros produtos do extrativismo vegetal, animal e mineral.

O Brasil havia aberto seus portos ao comércio exterior, tinha tratados de amizade com o Marrocos e a liberdade de culto religioso era garantida desde a Constituição Imperial.

E assim, muitas famílias hebraicas vieram do Marrocos para a Amazônia. A maioria chegou entre 1810 e 1820. Trouxeram suas famílias, pois vieram com a intenção de ficar. Construíram Sinagogas, escolas e cemitérios. Integraram-se plenamente à vida das cidades em que se instalaram, trazendo sua contribuição ao desenvolvimento das mesmas.

Nós somos os descendentes daqueles pioneiros que chegaram ao Pará e aqui fundaram a mais antiga comunidade judaica do Brasil.
À medida que a comunidade crescia, necessitava cada vez mais de organismos que a representassem e defendessem. E essas organizações foram evoluindo até chegarmos ao Centro Israelita atual, filiado a CONIB (Confederação Israelita do Brasil)

O CENTRO ISRAELITA DO PARÁ é o sucessor do Comitê Israelita do Pará, que foi fundado a 20 de junho de 1918 e que absorveu a “Hebrá Guemilut Hassadim” que havia sido criada a 04 de maio de 1890, sob o título de “Sociedade Guemilut Hassadim Shel Ribi Shimón Bar Iochai –Exercício da Caridade de Israel”.
Como Centro israelita do Pará teve diversos presidentes, a saber: MOYSÉS LEVY, MARCOS ATHIAS, ABRAHAM ATHIAS, JAIME BENTES, ISAAC BARCESSAT, ELIAS PAZUELO, RAMIRO ISAAC BENTES, AARÃO ISAAC SERRUYA, ISAAC DAVID NAHON, ORO SERRUYA, MARCOS SERRUYA, IANA BARCESSAT PINTO, MARCOS SOARES E RAQUELITA ATHIAS. Atualmente, volta a ser dirigido pela Dra. IANA BARCESSAT PINTO.

 

 


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